Faça como o Waze, não dê prazos

Todos conhecem o Waze e a grande maioria já se acostumou com o funcionamento dele. Uma vez que você determina um destino, ele calcula o ETA (tempo estimado de chegada) usando um algoritmo sofisticado e milhares de usuários como sensores.

Reparou que o Waze não te dá um prazo?

Ele dá uma estimativa.

E te atualiza toda vez que essa estimativa muda.

Por que não fazemos o mesmo quando trabalhamos em nossas organizações?

Por que caímos na armadilha de fazer uma promessa (prazo) quando não sabemos como o trânsito (quantidade de atividades e prioridades) vai se comportar nos próximos dias ou horas?

Essa promessa pode até fazer sentido em uma relação contratual, onde cada transação e entrega está prevista, ou seja, quando se lida com transações entre empresas ou organizações. Neste caso as duas partes envolvidas podem optar (nem sempre) por fazerem promessas (mesmo que elas não sejam cumpridas) para que não precisem dar transparência sobre seu modus-operandi e para que a contratante não precise confiar que a contratada está fazendo o seu máximo.

Se o prazo não for seguido, rola um processo ou ameaça. Mas é isso que você quer em sua organização, ameaças e processos?

E se dentro das organizações, começássemos a dar mais transparência sobre tudo o que é feito e, então, confiar mais?

E se quando alguém te pedisse um prazo, você desse uma estimativa? Mesmo não tendo um super algoritmo, você daria a melhor estimativa possível. E estaria aberto para ouvir os motivos que justificassem uma maior rapidez na entrega. Ao passar do tempo qualquer mudança na estimativa seria comunicada, sem medo de quebrar promessas.

Então você substituiria um prazo por: estimativa, transparência e diálogo aberto.

Vale a pena todo esse trabalho?

Não sei. Você prefere continuar usando prazos e ter:

  • Atrasos que ficam escondidos e só são revelados na última hora
  • Chefes ameaçando subordinados e colegas se ameaçando mutuamente
  • Ressentimento e desconfiança crescendo com prazos e promessas não cumpridas
  • O fenômeno do Vôo da Galinha ganhando força

A escolha é sua.

Lembre-se do Waze…

Se quiser saber mais sobre como a Target Teal ajuda organizações a adotarem novas práticas de gestão e transformarem sua cultura, entre em contato. Vamos tomar um café.

Por |2018-01-15T06:56:20+00:00março 13, 2017|Gestão|6 Comentários

Sobre o Autor:

Rodrigo é facilitador e designer organizacional. Formado em Engenharia de Materiais pela POLI-USP. Atuou por mais de 10 anos na criação e condução de programas de desenvolvimento de times e líderes utilizando a educação experiencial como método. Já foi engenheiro e gestor, hoje Rodrigo se considera um “livre discente” na busca de oportunidades para praticar sua pesquisa-ação em organizações que querem mudar fundamentalmente a maneira como operam.

6 Comments

  1. […] a galáxia.;) Então nada mais natural que cronogramas, planos, metas, budgets, objetivos SMART, prazos, gráficos de Gantt, etc. E como fica tudo isso diante de um mundo […]

  2. […] a galáxia. ???? Então nada mais natural que cronogramas, planos, metas, budgets, objetivos SMART, prazos, gráficos de Gantt, etc. E como fica tudo isso diante de um mundo […]

  3. […] Pode ser que as pessoas não estejam tão preocupadas em bater certos prazos arbitrários.  […]

  4. […] quiser entender mais sobre os efeitos nocivos dos prazos, confira esse […]

  5. […] entre duas polaridades que os diferentes papéis no círculo tenham que fazer. Ao invés de ficar definindo prazos, é mais útil especificar prioridades na forma de escolhas ou trade-offs. OKRs também podem […]

  6. […] “melhores práticas” da gestão tradicional entram aqui. Em especial, quando falamos de “prazos” como um antipadrão, percebo que muitos ficam horrorizados. Como assim não tem prazos? Como planejamos então? Onde […]

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