O CEO está nu: autenticidade nas relações de trabalho

Quanto tempo você é você mesmo no trabalho?

Imagine a seguinte cena: você está em uma reunião executiva, onde o CEO vai apresentar o plano estratégico do próximo ano para os demais líderes da empresa. A organização não está passando por um momento economicamente favorável. Todos estão tensos e esperançosos pelo plano mágico prestes a ser revelado e que vai salvar a corporação.

Jorge, o presidente, apresenta o plano. Ao concluir, não consegue se conter e rompe em lágrimas.

Esse plano estratégico é uma ficção. A verdade é que eu não sei como vamos passar por isso. Eu tenho medo de não sobrevivermos ao próximo trimestre. Tenho medo de como isso pode afetar a minha vida, a minha reputação. Tenho medo de como isso pode afetar todos nós. Sim, eu sou o CEO, mas não tenho um plano. Eu não sei o que fazer. Preciso da ajuda de vocês.

Quantas vezes você viu um executivo, o seu chefe ou o líder de uma grande empresa mostrar a sua vulnerabilidade?

Quantas vezes você os ouviu dizendo frases como…

Eu não sei. Eu não tenho a resposta.

Eu estou com medo…

Eu me sinto…

Eu preciso… de afeto, de um abraço

Eu vi poucas.

A máscara profissional

Somos ensinados a mostrar o nosso lado profissional no trabalho. Frio. Sem emoções.

Junto com o uniforme

[de trabalho] vem uma influência mais sutil: muitas vezes as pessoas sentem que têm de calar parte de quem elas são quando elas se vestem para o trabalho pela manhã. Elas colocam uma máscara profissional, em conformidade com as expectativas do ambiente de trabalho.

– Frederic Laloux em Reinventing Organizations

A separação entre o lado profissional e o pessoal começou há milênios atrás com o surgimento das organizações conformistas. Naquela época, a autoridade residia em um papel (ao invés de uma pessoa), como o Faraó. O Tutankamon (um faraó egípcio) colocava uma vestimenta diferenciada justamente para empossar a autoridade que o papel concedia a ele. Quando ele vestia essa roupa, ele era o Faraó. Não era Tutankamon.

pharaoh

Integralidade

As organizações evolutivas resgatam a união entre o lado profissional e o pessoal. O ambiente de trabalho é receptivo. Você pode expressar o seu lado pessoal, emocional e espiritual, sem medo de ser reprimido. Isso é tão relevante quanto o propósito da organização. Afinal, como você pode dar o seu melhor, ignorando todas as outras questões da vida?


É desgastante sermos alguém que não queremos ser. Apesar disso, não vemos executivos, gestores e líderes demonstrando essa integralidade. Pelo contrário: eles em geral representam a imagem cristalizada da frieza racional.

Quando mostramos a nossa vulnerabilidade e compartilhamos os nossos dilemas, convidamos os outros a fazerem o mesmo. E com isso, criamos um ambiente de trabalho mais seguro, mais humano e mais vivo. Experimente.


A Target Teal ajuda outras organizações a adotarem práticas evolutivas e a se reinventarem. Assine a nossa newsletter e receba novidades sobre o futuro do trabalho.

Por |2018-01-15T06:56:26+00:00outubro 14, 2016|Integralidade|1 Comentário

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Sobre o Autor:

Davi é um transformador de organizações e desenvolvedor de software social. Não satisfeito com as mudanças realizadas em times de desenvolvimento de software como Agile Coach, resolveu abordar um problema organizacional mais profundo: a forma como lidamos com autoridade dentro de empresas. É amante dos temas desenvolvimento organizacional, produtividade, futuro do trabalho e organizações evolutivas. Davi também é pioneiro na prática de Holacracia no Brasil.

Um Comentário

  1. […] Provocação: vale a pena se expor? […]

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